quinta-feira, 21 de junho de 2007

Sniper

Nada como um pouco de ação com os Marines norte-americanos para desanuviar a cabeça. Uma das coisas legais de se assistir filmes sobre ações militares norte-americanas, sejam baseados em fatos reais ou não, é que elas nos mostram um pouquinho do que se passa em suas cabeças. A bola da vez é "O Atirador" (Sniper), filme de 1993 com Tom Berenger e Billy Zane. Eu sei que o casting não estimula muito, mas poderia ser muito pior. Vamos a trama.

A República de Bananas do Panamá, que está sob a proteção/intervenção do Tio Sam, está prestes a realizar uma eleição "democrática", mas o Conselho de Segurança Nacional, do Tio Sam é claro, descobriu planos para um golpe militar. Para salvar a pobre nação de mais um regime ditatorial, decidem executar uma ação clandestina para assassinar o general golpista e seu financiador, um traficante colombiano que deseja ter livre acesso ao Canal. Para garantir o sucesso da missão, eles recrutam Richard Miller (Billy Zane), medalha de prata nas Olimpíadas de 1988 e sniper da SWAT, que deveria garantir que a missão fosse bem sucedida, mesmo que tivesse que matar seu parceiro, o Sargento Thomas Beckett (Tom Berenger), caso ele não coopere.

Com uma trama dessas, só podemos esperar desenrolar óbvio: o Sgt. Beckett é o melhor atirador dos Marines e manja tudo da selva panamenha, tem um papel paternal/mentor para o jovem da cidade que só quer se dar bem com os burocratas em Washington. Eles conseguem matar os malvados após grandes sacrifícios pela pátria. Não bastasse isso, a trama tem furos absurdos, como, por exemplo, para que contratar um sniper chinfrim que nunca pisou na selva para garantir a missão se o Sargento é mega-caxias e cumpriria suas ordens até no Inferno? Além disso, a atuação de Billy Zane é terrível, não dá para acreditar que aquele cara é um super-atirador nem em um milhão de anos, e os guerrilheiros panamenhos são estereótipados sem nenhuma pena.

Tom Berenger tem uma performance razoável, ainda que robótica, tipo Governador da Califórnia, mas consegue ser crível. Becket é uma versão light e "boazinha" do seu Sargento Barnes em "Platoon" (1986 - escrito e dirigido por Oliver Stone), papel que lhe garantiu uma indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante juntamente com Willem Dafoe, interpretando seu oposto, o bondoso Sargento Elias. Mas a comparação para por aí, já que "Platoon" é um filme de guerra de verdade, não de guerrinha pré-fabricada, com uma escala infinitamente superior à "O Atirador" em todos os aspectos, de qualidade de casting e rotieiro até orçamento.

O filme não fazer nenhuma discussão sobre as questões políticas por trás da trama, é claro, reduzindo-o a uma peça de propaganda pró-EUA e seu "intervencionismo em prol da democracia". Em nenhum momento alguém se pergunta se aquilo é certo ou não, exceto por uma mini-discussão de que "matar é difícil" entre Beckett e Miller, mas isso é feito durante uma crise de consciência de Miller tão inverossímil que se perde a força. No mais, são locações de selva e explicações sobre a cultura sniper até o fim, valendo apenas por esse último item, pelo menos para quem gosta do assunto. O filme teve duas seqüências que foram direto para o vídeo, sendo que eu tive a infelicidade de assistir a uma delas. É nesse momento que você percebe o quanto "O Atirador" é bom, e que o casting poderia ser muito, mas muito pior.

Serviço:
"Sniper" (O Atirador) - 1993 - TriStar
Diretor: Luis Llosa
Roteiro: Michael Frost Beckner e Crash Leyland
Atores principais: Tom Berenger (Tomas Beckett) e Billy Zane (Richard Miller)
DVD no Brasil: Genérico
Pitaco: Só para fans de snipers

Links:
Sniper (filme), Tom Berenger, Billy Zane, sniping na Wikipedia
Sniper, Tom Berenger, Billy Zane no IMDB

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